A mulher que eu me tornei...


Não é da noite pro dia que a gente vai virando o que é.

Tem muita química gerada, muita lágrima derramada e sola de sapato queimada para transformar o nosso barro na forma da vida.

Você nasci uma tímida e enrolada, desengonçada e perdida e vai me moldando na casa dos pais, dos avós, dos tios... dos amigos... lá a gente vai adquirindo o sustento cultural e as manias....as crenças e os desenganos.

Os medos vão se achegando e grudando em nos.

Os lamentos do que fizemos de errado e daquilo que não fizemos.

A gente vai deixando uma bagagem que era nossa e segurando outra dos outros nos caminho.

Pega uma esquina e perde o destino. Vira na rua e deixa os sonhos.

Sobe uma ladeira e desce com marido e filho que já sao outra perna que voc~e nem sabia que podia ser...

Vai se esquecendo de você, até que um dia resolve limpar a tralha toda e encontra algo seu, precioso e seu que você olha e diz, reconheço! Essa é a pessoa que sou e quer trazer ela pra superfície. Só que a vida não deixa e você coloca essa pessoa pra baixo de novo e de novo.

Assim, é assim que a moldura da mulher vai formando, mas tem uma hora que a conta chega e ai a gente tem que parar e olha pra frente e decidir o que vai levar.

O que vai ser? Quem vai se apresentar? QUEM será que vai deixar algo e como será?

Ou nunca pensa e vive suspirando e procurando a insatisfação em si....

É assim... que mulher me tornei?

E não " A MULHER QUE ME TORNEI".... A gente tem que inverter, se buscar. Viver e desenterrar os sonhos pra poder olhar pra fora e supirar olhando o sol e o mar sem dívidas.... sem mágoas e sem duvidas de quem será essa mulher.



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